Solidão x Solitude: A importância de estar só

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Percebo que nos dias atuais as pessoas não têm sabido lidar com o fato de estarem sós, e estão sempre projetando no outro a necessidade de preenchimento do vazio incompreendido, e com isso se inicia um círculo vicioso em entrar e sair de relacionamentos, por não conseguir sustentar a ideia de estar só.

Precisamos entender que cada indivíduo experimenta em si sua existência, nos comunicamos, nos adaptamos, mesmo às vezes não sendo da melhor forma, mas buscamos um meio de sobreviver e, apesar de haver inúmeras maneiras de trocarmos experiências com o outro, é importante entender que para viver bem e feliz não há a necessidade de sempre estar junto.

Quando digo vazio incompreendido, quero dizer do medo instalado no estar só, ir jantar sozinho, ir ao cinema sem alguém para dividir a pipoca e, além, não suportar a ideia de não ter alguém, e isso diz respeito à solidão. Contudo, quando pensamos na condição estrutural de ser humano que é a de ser só, nascer e morrer só, é quando passamos a compreender isso de forma clara e genuína, isso diz respeito à solitude. Infelizmente as pessoas não têm conseguido aceitar sua própria condição de existência, e buscam, incansavelmente, alguém para suprir algo que nunca será suprido pelo outro, mas sim por si mesmo quando houver a compreensão e aceitação.

É válido ressaltar que, a possibilidade de compartilhar a vida com o outro não é uma recusa à solitude, pois cada indivíduo é livre para trocar experiências de seus próprio lugares, solitários e sublimes. Mas desde que sempre exista a possibilidade de poder desfrutar de sua própria companhia, de respeitar suas individualidades, conhecer seu tempo, seus gostos, seus pensamentos enquanto um, enquanto só, já que só eu vivo minha experiência, só eu vivo o que experimento.

É muito maravilhoso poder nos encontrarmos com o outro e construir relações profundas, porém o sentimento de solidão de forma excessiva é a falta de compreensão de nossa condição humana de solitude, e é fundamental entendermos que nós estamos sós e que se pode pensar por si próprio, uma vez que o pensamento genuíno é intimamente solitário. Viver inteiramente em massa, em manadas, rouba nossa singularidade e individualidade. E se não preservarmos o que é nosso, como seremos capazes de viver sem o outro?

Podemos sim compartilhar nossas experiências com o outro, mas cada um no lugar que é seu, que é próprio, que é solitário e angustiante por muitas vezes, mas é só nosso.

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