Obesidade Pediátrica

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Possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Marília e mestrado em Ciências Médicas pela Faculdade de Medicina da USP – Ribeirão Preto. É médico da UTI Pediátrica do Hospital São Joaquim da Unimed Franca e atua em clínica privada e no ambulatório de endocrinologia pediátrica da Unifacef, faz parte da diretoria de cursos e eventos da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Tem experiência na área de medicina, com ênfase em atuação na área de endocrinologia pediátrica, pediatria e terapia intensiva pediátrica e neonatal.

A obesidade é definida como uma situação em que há excesso de massa gorda corporal.

É uma doença crônica, cujo avanço tem se dado de forma acelerada em todo o mundo nos últimos anos. A pesquisa de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), de 2018, do Ministério da Saúde demonstrou que a prevalência da obesidade voltou a crescer no Brasil depois de um curto período de estabilização. Houve aumento de 67,8% nos últimos treze anos, saindo de 11,8% em 2006 para 19,8% em 2018. O Vigitel também registrou crescimento considerável de excesso de peso entre a população brasileira. No Brasil, mais da metade da população, 55,7% tem sobrepeso. Um aumento de 30,8% quando comparado com percentual de 42,6% no ano de 2006.

Houve um tempo em que acreditava-se que as pessoas engordavam porque comiam muito e eram sedentárias. Por muito tempo, a obesidade foi considerada consequência de fatores comportamentais, como a falta de vontade própria. Hoje sabe-se que a causa da obesidade é complexa e que existem indivíduos altamente suscetíveis ao ganho de peso e outros altamente resistentes. Inúmeros fatores genéticos, ambientais e comportamentais influenciam o controle do peso. No entanto, mais de 90% dos casos não tem um fator causal definido; menos de 10% estão associados a causas hormonais ou genéticas. O aumento da obesidade na infância, na maioria dos casos, é consequência do consumo elevado de alimentos com alto teor de gordura e açúcar associado à baixa atividade física.

Podemos classificar como obesos os adultos com índice de massa corpórea acima de 30. Já em crianças deve-se utilizar gráficos específicos, em percentual ou desvio padrão, que levam em conta a idade e o sexo. No entanto, visualmente podemos identificar aquelas crianças que apresentam sobrepeso ou obesidade.

A obesidade cursa com várias complicações como dislipidemia, hipertensão arterial, diabetes tipo 2, apneia do sono, osteoartrite, refluxo gastroesofágico e doença hepática gordurosa não alcoólica. Além disso, a obesidade está associada à maior incidência de alguns tipos de câncer.

Após uma avaliação dos antecedentes pessoais e familiares, exame clínico detalhado, recordatório alimentar completo e exames laboratoriais, o tratamento é indicado. A maior dificuldade em seguir o tratamento é a mudança de hábitos alimentares e a realização de exercícios físicos regularmente. As várias dietas existentes, em geral, proporcionam emagrecimento. No entanto, devemos pensar em uma dieta que possa ser seguida por tempo indeterminado, na fase de manutenção, para que o controle do peso seja perene. A utilização de medicamentos e a cirurgia bariátrica (o Ministério da Saúde autoriza para pacientes maiores de 16 anos) tem indicação em casos específicos nos quais o tratamento de mudança de hábitos falhou.

Devemos promover hábitos saudáveis para as crianças para que cresçam acostumadas a fazer atividade física regularmente e se alimentem com uma dieta saudável, pois no caso da obesidade a velha máxima é verdadeira: prevenir é melhor que remediar!

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