Luciana Palermo Coelho

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O que me moveu a escolher a Psicologia como profissão foi, antes de qualquer coisa, compreender melhor as pessoas ao meu redor e as possíveis formas de lidar com situações emocionalmente complexas, que fugiam do meu controle. Na época, porém, não imaginava o quanto esse caminho me transformaria também como pessoa e como passaria a ver o mundo de perspectivas totalmente diferentes.

Sou graduada há mais de 10 anos pela USP de Ribeirão Preto e, desde o princípio, me encantei por áreas de atuação em que me sentia útil, especialmente a Psicologia Hospitalar e a Psicologia Clínica. Um dos alicerces da minha formação foi a Psico-Oncologia, à partir tanto da pesquisa quanto da atuação com pacientes pediátricos, além de atender mulheres diagnosticadas com câncer de mama. Identifiquei-me com o universo das crianças, mas nunca deixei de me sensibilizar também pelas questões dos adolescentes e adultos.

Minha experiência, ao longo dos anos, foi se consolidando principalmente nas áreas da Psicologia Clínica e da Psicologia Social. São estes, atualmente, os dois espaços de atuação em que me insiro. Como psicóloga clínica em meu consultório particular, cotidianamente me deparo com a grande responsabilidade de lidar com as nuances emocionais mais preciosas – e, não raro, mais frágeis – do outro. Entendo, portanto, a clínica psicológica como um espaço de liberdade, expressão, cuidado e, busco encará-la com o máximo de seriedade e compromisso, estudando constantemente, mesmo que já conte com especialização na área.

No serviço público, onde atuo como psicóloga social junto a famílias que vivenciam situações de violação de direitos, a seriedade e o compromisso se fazem igualmente presentes, porém ressalto também o desafio de lidar com demandas que transcendem o âmbito individual e me impulsionam a pensar toda a conjuntura social na qual os fenômenos, com que trabalho, estão inseridos. Somadas, as duas vertentes de atuação são responsáveis pelo amadurecimento constante não só da profissional, mas – principalmente – da “pessoa Luciana”.

Por este motivo, observo que, embora me sinta realizada por constatar a diferença que minha atuação profissional faz na vida das pessoas que cruzam meu caminho – seja no consultório particular, seja no serviço público –, sou grata, em especial, por perceber o quanto cada história que me é confiada tem o poder de me transformar profundamente. Não é à toa que, das incontáveis frases que marcam minha trajetória, dentre as favoritas esteja a do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas, ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.