Individualidade & Relacionamento

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Graciela Amália Alves Pereira Miguel é Psicóloga, Psicoterapeuta com Especialização em Psicoterapia de Casal e Famílias.

Escolher alguém para ocupar um papel especial em nossas vidas não é algo simples. Seja a escolha de um sócio, amigo ou principalmente um parceiro amoroso, o processo é sempre complexo, pois contempla desejos individuais e profundos. Encontrar alguém para dividir a vida significa somar diferentes pontos de vista sobre alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, saúde e doença. E quando dois seres decidem viver juntos, tentam construir um espaço/mundo compartilhado onde o relacionamento possa ser vivido de forma adulta, harmônica e privada. Embora seja verdade que pessoas diferentes se atraiam, é fundamental que crenças e valores sejam compartilhados, a fim de sustentar um relacionamento de longo prazo. Na vida a dois é importante haver tanto afinidades, quanto diferenças, permitindo uma espécie de equilíbrio através da complementaridade das características de cada um.

Algumas pessoas apresentam dificuldades para aceitar características de personalidade que vão percebendo em seus parceiros na convivência. Além daquilo que é apresentado ao outro num primeiro momento, mudanças ocorrem ao longo do tempo na medida em que a vida naturalmente oferece experiências e contextos diferentes que promovem comportamentos, sentimentos e ideias diversas em cada um de nós. Esse dinamismo é intrínseco, pois sempre acontecerão situações inesperadas na caminhada a dois que estimulam mudanças e oxigenam o mesmo relacionamento.

Tais mudanças podem ser interpretadas como ameaçadoras, mas em sua maioria são oportunidades de reflexão que convidam o casal a promover ajustes nos pontos em que a relação se encontra frágil. Geralmente a fragilidade reside na luta de cada um para manter sua individualidade e autonomia dentro da relação. Embora a individualidade tenha muito valor em nossa cultura ocidental, ela não pode ser vivenciada de forma solitária. Ambos precisam usufruir de momentos a sós, ou mesmo estar na companhia de pessoas do seu meio e que remetem a sua própria história pessoal (como parentes distantes, amigos de infância e colegas de trabalho). Esse pode ser um exercício positivo que permite reflexão: mergulhar nas ideias e sentimentos pessoais não apenas de forma solitária, mas junto de outros que podem reassegurar sua importância no mundo. Tal exercício é como uma viagem de ida e volta. Logo o indivíduo retorna, confiante, à realidade, ao aqui e agora, onde estão seus laços significativos sem que esse “passeio” comprometa a estabilidade da relação.

Ter confiança em si e no outro é sinal de maturidade. Especialistas afirmam que a maturidade coloca o indivíduo na posição de fazer escolhas e se responsabilizar por elas. É de se esperar que ele tenha um bom contato consigo mesmo e capacidade de ter empatia, bem como um real interesse pela pessoa a quem ama. A partir disso, não há necessidade de se guiar por normas pré-estabelecidas, pois ele poderá fazer escolhas próprias, coerentes com sua maneira de ver e sentir o mundo e com sua hierarquia de valores. Dessa maneira aumenta a probabilidade de se construir uma relação sadia que inclui unidade e diversidade ao mesmo tempo, na qual podem coexistir aspectos comuns e divergentes. As diferenças são inevitáveis no desenvolvimento da individualidade e da autonomia e podem ser acolhidas de forma positiva, como um caminho para o fortalecimento pessoal e da relação. Esse movimento de ser um e ser com os outros, além de ser condição fundamental para a saúde mental, possibilita a continuidade desse projeto de vida que envolve não só cada indivíduo do par em questão, mas também o cenário e todos os personagens envolvidos.

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