É preciso desconstruir para reconstruir

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Formada em Psicologia pela UNIFRAN. Psicoterapeuta Especialista em Fenomenologia-Existencial pela Barão de Mauá. Pós-Graduanda em Sexualidade Humana pela Faculdade Dom Alberto. Curso “Manual do Autismo” pela CBI of Miami – Children Behavior Institute. Atuante como Psicoterapeuta, oferecendo atendimentos para adolescentes, adultos, idosos e casais.

Ouço com bastante frequência a seguinte frase: “As pessoas não mudam!”, e ao ouvi-la fico me questionando, será que as pessoas de fato não mudam ou não querem mudar?

Eu acredito que estamos em constante evolução, mas há raízes em nós que se solidificam e cristalizam se não dermos a atenção necessária para perceber o que precisa ser podado ou o que precisa ser alimentado. Porém, eu não acredito em transformação “açucarada”, em mudanças fáceis dentro de um modelo idealizado de evolução, pois há uma dificuldade gigantesca em, primeiramente, reconhecer em si o que precisa ser mudado, já que reconhecer isso é também compreender que por muitas vezes somos falhos, cheio de defeitos e com isso sofremos e fazemos o outro sofrer também.

O ser humano tem uma tendência a criar e alimentar uma imagem narcísica do Eu, um formato agradável e idealizado de si e dessa forma fecha os olhos para tudo aquilo que há de disfuncional em si e se limita, se fecha às possíveis e necessárias mudanças.

É extremamente difícil e doloroso mudar. Então talvez as pessoas não mudem exatamente por isso, pois mudar nos tira completamente da nossa zona de conforto, para mudar algo tão enraizado em nós, primeiro precisamos desconstruir velhos hábitos, pensamentos limitantes, atitudes que aprisionam, e para isso, precisamos enfrentar as ruínas, a bagunça e o caos interno.

Costumo fazer o uso de muitas analogias em consultório com meus pacientes, acredito que ajuda e facilita muitas vezes a compreensão, e quando penso em mudança, em desconstrução, penso em reconstrução também. Acredito que é menos trabalhoso construir algo do nada do que ter que destruir primeiro e depois reconstruir através das ruínas. Uma casa em reforma, por exemplo, primeiro você precisa entender que essa casa está pequena para você, precisa ser aumentada, clareada, mas para isso, antes você precisa enfrentar o caos da destruição. Reforma é uma bagunça, só quem já reformou uma casa morando dentro dela sabe, é muita poeira, barulho, frustrações, ansiedade, impaciência e acima de tudo, espera e renúncia. E depois de viver dentro do olho do furacão, você vê sua casinha ampliada, arejada, com diferentes cores, novos móveis e decorações.

Talvez então mudar seja isso, primeiro você precisa viver o seu caos particular, abrir mão da ideia de que “eu nasci assim e vou morrer assim”, renunciar atitudes, pensamentos e pessoas. Não é fácil, não é simples e não há uma receita. É uma jornada única e pessoal, é difícil e dolorosa onde você entra em constante conflito consigo mesmo e muitas vezes com os outros, é encontrar o sentido e o não sentido. Nós buscamos aprender a ser felizes, mas precisamos aprender a sofrer também.

E vá por mim, nada melhor que morar em um lar mais arejado e ampliado, esse lar que é você e que é seu.

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