E aí, como você enxerga a pessoa com Síndrome de Down?

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Neuropsicopedagoga / Psicopedagoga / Terapeuta Cognitivo Comportamental / Mediadora do PEI I e II / Mediadora de Biofeedback, Neurofeedback e Neurometria Funcional / Capacitadora Internacional do Método PEA (Atenção e Funções Executivas).

Então falar sobre a Síndrome de Down, hoje, como mãe e como profissional, é poder agradecer o cromossomo extra que pude ter de graça.

E você? Seja sincero! O que você enxerga além das características físicas ou do próprio nome que foi dado ao diagnóstico?

O que foi lhe ensinado sobre o T21( Síndrome de Down ou Trissomia do Cromossomo 21)? Você acredita que eles são incapazes e estão aqui apenas para ocupar espaço na sociedade? Acham mesmo que os pais dessas pessoas foram “castigadas” ou são “especiais”? Lamentam pelas famílias que recebem o diagnóstico de um novo integrante da família com Síndrome de Down?

Caso se identificou com alguns desses pensamentos, certifico que você pode ter sido mal orientado e a culpa não é sua, nem de ninguém, pois não existem culpados, mas equívocos. E sabe que a informação é uma das maneiras pelas quais podemos entender os equívocos?

Quando disse lá em cima de cromossomo extra, isso mesmo, a pessoa com Síndrome de Down ou Trissomia do Cromossomo 21, tem 47 cromossomos em suas células, em vez de 46, como a maior parte da população.

Suas características são semelhantes e podem estar sujeitas a incidências de algumas doenças. Apresentam personalidades únicas. Tem muito mais características em comum com o resto da população do que diferenças. São capazes de sentir, amar, aprender, estudar, trabalhar, divertir…levam uma vida autônoma. Existem sim, um atraso intelectual comparado à pessoa neurotípica, mas como disse, “atraso”, só vai demorar um pouco mais para aprender. Alguns processos serão cansativos, mas é só descansar e continuar. Muitos apresentam uma hipotonia, onde a língua fica para fora, e fica sim.

Os gritos, às vezes acontecem em crianças que tem comprometimento de fala, pois é dessa maneira que elas expressam seus sentimentos. Eles dançam, cantam, mandam beijos (até demais), ainda mais quando gostam, dão oi e tchau quando sentem vontade, são “in natura”, sem conservantes!!!

Todos que fazem parte desse mundo conseguem enxergar capacidade e força de vontade, pois como disse, é só uma questão de TEMPO, PACIÊNCIA, DEDICAÇÃO, ESFORÇO e assim o momento desejado chega. A parte do “castigo”, só quem tem o prazer de protagonizar histórias como essas, sabe o quanto isso é GRATIDÃO e jamais um castigo. Lamentar uma vida? Onde para muitos é o fim, com toda certeza, é apenas o começo.

E todo começo é NOVO, e o novo é incerto, as incertezas desaparecem quando as primeiras conquistas acontecem. As possibilidades estão dentro de cada um, quando estimuladas, treinadas com esforço e dedicação afloram, é um processo natural da vida.

Quanto aos pais, ah! Esses não há nada que podem ter feito de diferente para evitar tal situação. Como disse, não é culpa de ninguém. Ser Down não é uma doença, mas uma condição da pessoa associada a algumas questões. Você pai ou mãe de uma pessoa com Síndrome de Down, tenham em mente, que o mais importante é descobrir que seu filho pode alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades e que alcançarão muitos voos. Lógico que não é nada fácil. Não é o que sonhamos, esperamos ou planejamos, mas a realidade. Do LUTO a LUTA, como mãe, quando mergulhamos nesse universo começamos a entender que o impossível é apenas o começo de todas as possibilidades, basta acreditar. Como filho, percebo a LUTA, os esforços, os desafios, o cansaço, as superações, a evolução como SER.

O fluxo da evolução é aprender a sentir o sentimento e não apenas entender.

Decidir o caminho a trilhar é bem o desconhecido. Privar de ser quem realmente seu filho é, pode enfraquecer sua autoconfiança. As pessoas tem o dever e a obrigação de respeitarem momentos como esse. Não preocupe com o que pensam, se preocupe com o que seu filho está sentindo, deixe ele ser quem ele quiser.

A inclusão começa no coração, acontece de dentro para fora. Olhar o próximo com amor, sem questionamentos, julgamentos nem suposições, esse olhar pode fazer muita diferença no meio de um dia difícil. O maior alimento da alma é praticar o bem, e apenas um olhar de amor pode transformar.

Aceitar, amar, acreditar e aprender com eles a cada dia, lapidar olhares, dar condições para enfrentarem o mundo e todos os desafios são alguns fatores para fazermos a diferença na vidinha deles e mudarmos os sentimentos em relação às diferenças.

Façamos a diferença junto aos nossos filhos!

Conviver com o diferente não é vergonha, conviver com o diferente é oportunidade de evolução e dever de todos.

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