Dermatite Atópica Canina

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Médica Veterinária formada pela Universidade de Franca/2003. Especializada e Pós-Graduada em clínica e cirurgia de pequenos animais pelo Instituto Qualittas/2008; Pós-Graduanda em Dermatologia em Pequenos animais pelo Instituto Qualittas. Atuante em Clínica de Pequenos animais no Centro Veterinário Paulo VI, 400.

Mas afinal Drª, por que meu cãozinho coça tanto? – no meu consultório, escuto sempre essa pergunta.

A coceira do seu cão pode estar relacionada a algumas dermatopatias, dentre elas, a hipersensibilidade alimentar, dermatites parasitárias, dermatite alérgica a picadas de ectoparasitas (pulgas e carrapatos) e a Dermatite Atópica Canina.

A dermatite atópica canina (DAC) é uma das doenças dermatológicas mais frequentes na clínica de pequenos animais. É uma alergopatia, relacionada a resposta inflamatória exacerbada aos alérgenos ambientais, que ativam o sistema imunológico de uma maneira exagerada. Isso ocorre também devido a uma deficiência na barreira cutânea, ou seja, os componentes normais de proteção da pele estão em desequilíbrio. Tem caráter crônico, genético, racial (raças puras parecem ser as mais acometidas) e multifatorial, ou seja, apresenta vários fatores e características diferentes em cada animal.

O animal com DAC pode apresentar prurido (coceira), eritema (vermelhidão), alopecia (queda dos pelos da região), hiperpigmentação (alteração da cor normal da pele), otite, dentre outros sinais. Os sinais variam de acordo com o quadro de cada animal. Esse desequilíbrio na barreira cutânea de proteção pode favorecer a instalação de microorganismos (bactérias e fungos) na pele, o que pode resultar em dermatopatias secundárias e piora no quadro da DAC.

O diagnóstico é complexo, pois conta com várias informações importantes do histórico do animal, desde sua infância. É feito principalmente por exclusão de outras dermatopatias, leva tempo, mas é possível com muito cuidado e atenção do profissional envolvido. A doença não tem CURA, mas tem um controle onde é possível devolver ao animal seu bem-estar e qualidade de vida. É importante o acompanhamento pelo profissional especializado, com revisões (retornos) sempre que preciso e de acordo com a orientação para cada animal. Essa conduta evita as recidivas das crises da DAC, o que é muito comum, levando o proprietário a se manter fiel ao controle contínuo do tratamento.

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