Alergia a proteína do leite de vaca e intolerância à lactose: entenda a diferença

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Formada pela Universidade De Ribeirão Preto (UNAERP) em 2011, especialiazação em Pediatria pela FAMEMA (Faculdade de Medicina de Marília de 2012 a 2014), especialização pela UNESP-Botucatu em Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Infantil de 2014 a 2016. Pós-graduação pelo PGPN (Universidade de Boston), Pós-graduação em Nutrição Infantil e perceptora no Curso de Medicina da UNIFRAN.

Entende-se como intolerância à lactose a redução dos níveis de lactase na mucosa intestinal. A lactose é o açúcar predominante no leite de mamíferos e produtos lácteos. Se a lactose não for absorvida, eleva a quantidade de água e eletrólitos, levando ao aumento do peristaltismo, dor abdominal e diarreia. Parte desse carboidrato (lactose) sofre ação da flora bacteriana com consequente eructação, flatulência e borborigmo.

O diagnóstico é feito por meio dos sintomas ao ingerir alimentos com lactose e por exames laboratoriais como medida de pH e substâncias redutoras nas fezes, teste de tolerância à lactose através da curva glicêmica e o teste do H2 no ar expirado, este último realizado no meu consultório.

O tratamento pode ser com utilização de leite e derivados zero lactose ou através da ingestão da enzima lactase, vendidas no mercado farmacêutico.

Já a alergia alimentar é a resposta imunológica que ocorre com a exposição de um dado alimento, podendo ser mediada pela imunoglobulina E (IgE), não mediada pela IgE ou mista.

A reação adversa a alimentos, mais comum na infância, é a alergia à PROTEÍNA DO LEITE DE VACA (APLV). No entanto, existem outros alimentos que causam hipersensibilidade como amendoim, ovo, soja e peixe. Os sintomas podem ser agudos ou insidiosos, predominando vômitos, diarreia, má absorção, levando a déficit de crescimento e/ou sangue nas fezes, cólicas, choro intenso, recusa alimentar. Há também manifestações dermatológicas e respiratórias como: broncos espasmos, rinite, urticária, dermatite atópica, entre outros.

É especialmente no primeiro ano de vida que os sintomas de APLV se manifestam com maior frequência. Geralmente nos primeiros meses de vida e não mediado por Ige, devido imaturidade do sistema imunológico intestinal, dessa forma, os lactentes apresentam mais alterações gastrointestinais.

O diagnóstico de APLV é difícil, uma vez que não há um teste único ou combinação de exames com precisão diagnóstica. Crianças em aleitamento materno exclusivo podem apresentar alergia a proteína através da ingestão materna de leite.

O tratamento deve ser feito com restrição de leite e derivados da dieta materna se aleitamento exclusivo e/ ou iniciar fórmulas extensamente hidrolisadas ou de aminoácidos ou soja para crianças maiores de 6 meses.

Desse modo, a alergia alimentar geralmente é uma reação contra a proteína do alimento com envolvimento de mecanismos do sistema imune, já a intolerância é uma reação que envolve a digestão ou metabolismo, e não tem relação com sistema imune. Embora esses termos sejam usados equivocadamente como sinônimos, é importante estabelecer a diferença de APLV e intolerância à lactose.

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